As respostas da Maçonaria para um mundo em tumulto

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A Maçonaria encontra-se normalmente associada à imagem de uma instituição secreta, cheia de cerimónias invulgares, uma espécie de congregação religiosa em que se concertam planos de tomada do poder político ou se combinam negócios ilícitos, no segredo das Lojas. Essa imagem fantasiosa não corresponde à realidade. A Maçonaria é uma organização mundial, com lojas espalhadas pelos quatro cantos do globo, todas elas com os seus próprios costumes e tradições. Sendo uma instituição tradicional é natural que os seus usos e costumes tenham enorme influência na sua identidade, até porque o ser humano é gregário e gosta de se identificar com símbolos e práticas que o caracterizam como membro de uma dada comunidade. Todos temos horas próprias para comer, sentamo-nos de certa forma à mesa, cumprimentamos os mais velhos de forma reverente, vestimo-nos de certa forma e não de outra. Mesmo os que não professam uma religião quando entram num templo religioso guardam silêncio ou falam em voz baixa. Os homens procuram uma identidade porque ela é a forma do seu reconhecimento pelos outros e é uma forma de sobrevivência.

A Maçonaria não existe para fazer negócios nem tem planos para conquistar o poder no mundo. Naturalmente, os amigos que são próximos estão mais disponíveis para combinar um empreendimento comum do que os homens que não se conhecem. Mas isso não é exclusivo da Maçonaria. Existe entre os cristãos de uma dada paróquia, os sócios mais apaixonados de um clube de futebol, as pessoas que nasceram na mesma aldeia e emigraram para outro local, nos militares que fizeram conjuntamente o serviço militar. Quer dizer as pessoas são próximas, confiam umas nas outras e as iniciativas conjuntas acontecem. A Maçonaria não tem segredos ou rituais que afrontem as convicções de cada um. O segredo é uma forma de descrição, tem a ver com a intimidade da vida privada, com o espaço vital e funcional do indivíduo. Os membros da administração de uma empresa não revelam o que lá se passa, ao público; nem as reuniões das direcções dos jornais são públicas. Costumamos dizer que só o próprio maçom pode revelar a sua condição e que nenhum outro pode fazer. Também não descriminamos quem tem outra cor de pele, segue outra religião, tem um clube de futebol que não é o nosso ou tem opções sexuais que não são as mais comuns. A modernidade habituou-nos a respeitar o espaço de autonomia de cada um e, nele, inclui-se a defesa da privacidade. A maçonaria não pratica rituais satânicos ou que violem a decência da pessoa humana, como por vezes se fantasia. Quem viu filmes sobre os Templários ou a Cavalaria Medieval assistiu a cenas de iniciação ou cerimoniais em grupo que são rituais de passagem. A Maçonaria pelas suas origens na cavalaria medieval adoptou estes rituais, há três centenas de anos.

A Maçonaria não é uma religião. Não adora uma divindade própria, não tem um clero, nem um livro sagrado próprio, não dá sacramentos, não converte, não dá a Salvação. Tem gente de variadíssimas religiões e também tem quem não siga qualquer religião. Nalgumas das suas cerimónias, por razões de solenidade, pede aos seus membros que tomem os seus juramentos sobre o livro sagrado que escolherem. Ele não é imposto. Pode ser a Bíblia, a Torah, o Corão, o livro sagrado dos hindus, dos sikhs, dos budistas. Pode ser mesmo um texto a que a pessoa atribui um sentido último, sagrado. Porque tem gente de várias religiões, a Maçonaria adoptou, há quase trezentos anos, o conceito do Grande Arquitecto do Universo, no sentido do Criador do Universo e do mundo em que vivemos, a divindade, a causa última de tudo o que existe. As cerimónias que os Maçons realizam são feitas invocando a sua protecção e Luz. Mas cada um dos membros da Loja dá-lhe o nome que aprendeu ou, por substituição, essa designação. A Maçonaria é estruturalmente tolerante em relação a todas as religiões e porque não permite a discussão de questões de crença é aberta a todas, sem excepção. A Maçonaria não ignora que há confissões religiosas que proíbem os seus membros de se tornarem Maçons mas não interfere na tomada de decisão dos que lhe batem à porta.

Os juramentos que os seus membros tomam são formas de integração no grupo. Nada é pedido ao que toma o juramento que viole as suas convicções ou exija algo que seja ilegítimo. Quem não viu a tomada de juramento do Presidente dos Estados Unidos no início das suas funções? Os juramentos da Maçonaria são semelhantes. O Presidente jura respeitar a Constituição colocando a sua mão direita sobre uma Bíblia; os Maçons juram respeitar as ordens legítimas dos seus superiores, os regulamentos em vigor da sua organização, ajudar e proteger os seus Irmãos, colocando a mão sobre o livro sagrado da sua escolha. Pode essa protecção envolver o encobrimento de crimes? Não. Por juramento e por landmark (princípio institucional) a Maçonaria obedece às leis do poder civil do país ou local onde funciona e às suas autoridades legítimas. Se um membro da fraternidade é condenado pela prática de um crime que enxovalhe o seu bom nome, a organização retira daí ilações e o membro é suspenso de todos os direitos na instituição e, em certos casos, expulso.

Qual o sentido de se pertencer a uma organização secular se existem outras formas de convívio e outras ocupações lúdicas porventura mais excitantes? Porque como nenhuma outra organização a Maçonaria ajuda cada um dos seus membros a se tornar um cidadão mais responsável, mais solidário com quem sofre, mais criterioso com a família e a evoluir como ser humano. Fá-lo pelo convívio, pela comunhão, pela partilha de conhecimentos em Loja, pelo estudo dos símbolos, pela visita aos locais sagrados ou simbólicos. Dá um sentido de inclusão e pertença que quase nenhum outro grupo humano dá. Sem exigir obediência cega e vinculação para toda a vida, a Maçonaria respeita o espaço de autonomia de cada um e que quem um dia se aproximou decida afastar-se.  O Maçom é sempre e em todas as ocasiões um homem livre, tanto amigo do rico, como do pobre desde que sejam pessoas de bem.

Faz isto algum sentido leitor? Se faz procure-nos. Mande um email para sec.syslodge@gmail.com 

The Master of the Lodge

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by A.M.A. Goncalves

The Worshipful Master is, in any Masonic organization, the guardian of the tradition and of the Masonic law and a reference for the Brothers. He represents the history of the Lodge and embodies the causality of its creation. Lodges are founded all the way through different in-puts: some for reasons associated with the development of the Craft, in a certain territory; others as a platform for Brothers, which are displaced, to meet and continue to practice their art. No Lodge is identical to other. In this sense, the Venerable Maitre, as the French call it, has an important role to perform as the guider, the pilot, the commander-in-chief of the ship. In most of the Obediences this function is rotative and the Master elected to assume this duty serves one term of one single year. This happens, mostly, in Lodges with a somehow extensive history of 40 until 100 years. In younger Lodges, the need to assure a lucid leadership of the project of the Lodge requires a longer mandate as the Master of the Lodge is obliged to assure the survival of the Lodge, in the long-run. He guarantees also that the education of the new members is performed, systematically, and respecting some sort of planning. This necessity depends on the sort of Rite that the Lodge practices, as some rites are more demanding than others. Freemasonry is ritualistic in the sense that encloses a set of ceremonies and dramatizations that are inspired by well-known fables of the Ancient Testament but is not (or should not) be over dependent on them. More than empty ritualisms, Freemasonry prioritizes the cut and polish of the rough stone, expression that means that the human spirit is still gifted to make fresh progresses if attention is dedicated to it. Humans are not blank sheets of paper where all possible meanings can be written but are personalities and individualities formed by genetic content and by the experiences they go through along their lives. The Craft believes that this work is not completed and that within the Lodge and in dialogue between Brothers this process of positive modification can be achieved. It depends, essentiality, in the quality of the leadership and the theoretical preparation of the Worshipful Master. Lodges are organizations of Men, with all their qualities and wrong-doings, but is their connection and symbioses that makes that experience rewarding. When the collective of the Lodge is able to incorporate this design and exigency the Lodge becomes a reference. There are many distractions, nowadays.  Many Lodges turn to be clubs where middle-age men pursue some ritualism before running into a late meal, where they tell bad jokes and drink a lot. This is a perversion of Freemasonry and, absolutely, distorts the organization purposes and traditions. The Master of the Lodge that allows this kind of perversion is responsible, in the middle-term, for the profanization of works, the grime of the aprons and of the white gloves of the Brethren. So some attention ought to be directed to the style of work and how directives are accomplished. Some members seem too susceptible when corrections are address to them by the Master of the Lodge and look at them as personal humiliation. Freemasons practice an art that has almost three centuries and as in any art correction is required if perfection is designated as a goal, a collective goal. The exemplary practitioners of today are the competent leaders of tomorrow. The opposite is also true.